quinta-feira, 29 de agosto de 2013 - às 12h08

Caiu a máscara!

As agressões dos médicos brasileiros em Fortaleza e no Recife, contra os médicos estrangeiros, por si só já demonstraram a farsa da reação ao programa Mais Médico – que é o mais importante programa rumo à Medicina social já implantado no país.

Nunca, na história deste país, se viu programa igual.

Primeiro eles disseram que estavam preocupados com a “qualidade” dos médicos estrangeiros e exigiam que se submetesse à revalidação do diploma.

Conversa fiada.

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo submeteu os médicos paulistas a uma espécie de revalidação do diploma e o resultado foi desastroso: de cada 10 médicos, 7 foram reprovados.

Ora, se em São Paulo, onde estão os melhores cursos de medicina, os melhores hospitais e os melhores profissionais o resultado foi esse, imagine em Alagoas, Sergipe, Piauí, etc., que são menores e pobres!

E o que se fez com os 7 médicos paulistas reprovados pelo próprio CRM? Nada. Não se fez nada porque o exame deveria ser igual ao exame da OAB e não é; os médicos reprovados continuam trabalhando e que Deus tome de conta dos seus pacientes.

Se é assim, a exigência à revalidação do diploma para médicos estrangeiros é descabida; afinal, o exemplo deve começar de casa e, em casa, ou seja, no Brasil, o médico sequer é obrigado a fazer a residência médica.

Aí veio agora o questionamento da relação de trabalho, e isso para os médicos cubanos, que vão abrir mão de parte do salário em favor do fundo de ajuda financeira a Cuba.

E o que é que as entidades médicas têm a ver com isso? Isso não é da conta do Conselho Federal de  Medicina, nem de ninguém; isso é um problema exclusivo dos médicos cubanos e ninguém – repito: ninguém – tem nada com isso.

E tem também, agora, a “preocupação” porque os médicos portugueses, espanhóis e argentinos estão hospedados em hotéis, enquanto os médicos cubanos estão alojados em unidades militares do exército, da marinha e da aeronáutica.

Oh! Que lindos! Como eles são bonzinhos. Estão preocupados com o bem-estar dos médicos cubanos…

Hipocrisia pura!

A máscara caiu, gente. Ninguém nunca se preocupou com a população. O que preocupa mesmo, mas eles não podem assumir publicamente, é a perda de valores e o piso nacional de salário estabelecido pelo governo em 10 mil reais.

Quer receber 10 mil reais para ir trabalhar lá no interior? Quer não? Pois se você não quiser tem quem quer.

E que venham mais médicos cubanos. São 4 mil no total e não chegaram nem 10%. E que se amplie o prazo de permanência, porque o médico português de 76 anos que aderiu ao programa explicou que os colegas mais jovens não aderiram porque consideram o prazo de permanência de 3 anos “muito pouco”.

Muitos gostariam de ficar indefinidamente.

Oh! Que Glória. Que se amplie então o prazo para indefinidamente…

E a prova mais recente de que a máscara caiu foi a decisão do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, estipulando o prazo de 30 dias para o médico Rogério Carvalho reassumir a função de médico, senão, vai cassar-lhe o diploma.

Detalhe: o médico Rogério Carvalho é deputado federal e o relator da Medida Provisória do programa Mais Médico e, obviamente, defende o programa porque é um homem do bem.

Rogério está licenciado para exercer o mandato e o CRM paulista nunca se manifestou. Só agora, quando descobriu que ele defende o programa Mais Médico é que o CRM veio com essa exigência.

A máscara caiu também com a decisão do CRM de Pernambuco de considerar o senador Humberto Costa como “persona non grata”. Motivo: Humberto também defende o programa Mais Médico.

Mas, nem só de algozes vive a população brasileira. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou ao CRM mineiro que conceda o registro para os médicos estrangeiros que vão atuar no Estado.

Imagine que, no Vale do Jequitinhonha, tem lugar onde a população nunca viu um médico. E agora terá não apenas um, mas dezenas deles praticando a medicina social – que é aquela que não enriquece o médico, mas o obriga a colocar em prática o juramento que prestou.

Que juiz haverá de decidir pela injustiça? Qualquer decisão contrária ao programa Mais Médico não é só injustiça, mas agressão àqueles que sofrem e morrem à míngua com a medicina capitalista e mercantilista que se pratica no Brasil.

E ainda mais, porque a máscara caiu!

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COMENTÁRIOS19

  1. Raimundo Oliveira  30. ago, 2013 às 14:29

    Se em São Paulo somente 30% foram aprovados em um teste feito pelo CREMESP, imagine o bloguista qual o resultado se fosse feito com os médicos cubanos. Aliás, será que sabem que lá na iha um médico recebe em média US$50,00 por mês?

  2. Bruno  30. ago, 2013 às 11:56

    http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/08/30/prefeituras-vao-demitir-medicos-para-receber-equipes-do-governo.htm#comentarios
    Olha para que está servindo os mais médicos,as prefeituras estão trocando o quadro de médicos nacionais por médicos estrangeiros,então o intuito do programa vai ser apenas de aliviar as finanças das prefeituras,pois a bolsa é paga pela união.
    Então fica evidente o que tenho falado como é que se faz saúde em interior,não temos estrutura nem segurança,a CLT está sendo rasgada na nossa cara,o profissional é simplesmente descartado sem direito algum.
    No papel a função primordial do programa ruiu,pois em lugares que já haviam médicos eles estão sendo trocados,e nos lugares que há carência,o quadro permanece o mesmo

  3. melo  30. ago, 2013 às 10:17

    Prezados colegas, proponho que se deixe o blogueiro sozinho a destilar seu
    ódio. Ele alimenta-se de nossas respostas, como um vampiro de almas. simplesmente vamos calar.

  4. Zaneli Malta Prata  30. ago, 2013 às 9:39

    Bob, você tem razão em muitas de suas colocações. Nesse sentido, cabe a pergunta: se o sistema de saúde brasileira não tem estrutura adequada, e não tem mesmo, por que os médicos não saíram em passeatas para fazer essa denúncia? Quando os médicos do setor público fazem greve as motivações são as mesmas, quais sejam, melhores salários e melhores condições de trabalho. Contudo, basta o governo acenar com aumento salarial, não precisa ser o percentual pedido, que a reivindicação de melhores condições de trabalho é esquecida, ficando tudo como estava antes (hoje). Se os médicos de fato estivessem preocupados com a tão alegada falta de estrutura teriam feito o que fizeram agora: realizar protestos em todo o país para denunciar a situação precária do sistema de saúde pública e cobrar a efetividade de eventuais promessas de melhorias por parte do governo de plantão. Mas não! Somente agora quando o governo importou médicos para diminuir o déficit é que as entidades representativas da categoria, fortemente apoiada por seus membros, saem as ruas para reclamar o que nunca reclamaram efetivamente. Nesse passo, os médicos devem responder com sinceridade sobre o porquê de, não querendo ir para os rincões do Brasil, não querem permitir a ida de outros médicos para socorrer a população abandonada dessas localidades e da periferia dos grandes centros, a qual morre pela falta de atenção básica de saúde. De minha parte penso saber os motivos, a saber, o corporativismo da categoria para manter a reserva de mercado e, por conseguinte, manter a importância política e econômica dos profissionais médicos, bem como conservar o atual modelo de saúde privada de alto custo, dependente de remédios caríssimos, inacessíveis, portanto, para a esmagadora maioria da população brasileira, além de perpetuar a dependência da atuação médica de exames de alta complexidade.

  5. S.F.ALMEIDA.  30. ago, 2013 às 6:16

    CARO VILLANOVA,VOCÊ É SEMPRE SERÁ UM EXEMPLO DE JORNALISTA QUE ESCREVE A REAL FAÇANHA DOS SUPOSTOS MÉDICOS BRASILEIROS
    QUE SE PRECUPAM COM DIN DIN E NÃO COM A SAÚDE DO POVÃO.
    A ÚNICA ATITUDE DESSES MÉDICOS É PREOCUPAÇÃO COM A CONCORRÊNCIA PROFISSIONAL,O QUE ELES PENSAM QUE VAI EXISTIR,EU EM PARTICULAR NÃO PENSO ASSIM,ACHO QUE ESSAS PESSOAS DA MEDICINA INTERNACIONAL ESTÃO ATÉ PREPARADOS DEMAIS PARA LIDAR COM VIDAS DO QUE OS NOSSOS FALSOS MÉDICOS MERCANTILISTAS E MERCENÁRIOS.

  6. NALFABETO MÉDICO  29. ago, 2013 às 21:23

    Certíssima a sua observação sobre o Sirio Libanês, quem o procura é quem tem ” bala na agulha “, e assim é que deve ser.
    Acontece que os nossos “pais e mães dos pobres “, espirram e correm pra lá, usando e atirando com as “BALAS DO POVO BRASILEIRO”, principalmente dos mais pobres q nem Plano de Saúde teem.
    “BALAS DO POVO BRASILEIRO”, leia-se : dinheiro do povo brasileiro.
    Que procurem os Hospitais mais caros do Brasil e do mundo, sacando dos seus bolsos.
    Como bom democrata lhe admiro, mesmo lhe contestando.
    Sua inteligencia e INDEPENDENCIA, são necesárias a nossa pobre Alagoas..

  7. NALFABETO MÉDICO  29. ago, 2013 às 18:08

    Excelente Bob, colocções perfeitas.

    Aguarde Dilma, Lula, Sarney, Genoíno e demais comparsas sendo tratados por esse competentes médicos cubanos.
    O Sirio Libanes vai ter paz.
    Precisam mostrar raça, feito mostrou o grande ídolo desses líderes, o
    “líder maior”, Hugo Bolivariano Chavez.
    Agora sim, o Brasil vai pra frente !
    Parabens pela matéria.

    • Roberto Villanova  29. ago, 2013 às 18:24

      Caro amigo: é uma honra tê-lo como comentarista do nosso blog. Talvez meu esforço para mim fazer entender não seja suficiente, daí eu quero esclarecer que o Hospital Sírio Libanês é importantíssimo e quem o procura tem bala na agulha, não é qualquer um. Mas é importante que, os que não tem bala na agulha, também tenham o direito à vida. E esse direito será dado por esses médicos que vão fazer a prevenção. É isso o que quis dizer. Grato mais uma vez.

      • Henrique  30. ago, 2013 às 23:14

        Mas tu é burro, viu?

  8. Danúbio Carvalho  29. ago, 2013 às 18:01

    O que pode ser pior do que um comunista? Respondo: um comunista que só fala asneira. Esse Bob tem um ódio pelos médicos, e um amor incondicional pelo comunismo-socialismo-ptismo e cubanos. A raiva que sente dos médicos do Brasil deve ser por frustração, queria ser mais (não sei por quê) não foi.
    A frase mais pronunciada em Alagoas, em pouco tempo, será: CALA A BOCA, BOB!

    • Roberto Villanova  29. ago, 2013 às 18:27

      Caro Danúbio: não era medicina o que eu queria fazer e sim agronomia. Não fiz na época porque teria de sair de Alagoas – não havia o curso aqui. E não fiz depois porque virei jornalista e também pq não queria ser agronomo de gabinete no serviço público. Frustei-me mesmo assim, mas por não ter feito agronomia. Grato pela participação.

  9. NILSON  29. ago, 2013 às 16:28

    CARO COLUNISTA,
    PELAS SUAS COLOCAÇÕES, O SENHOR TEM RABO PRESO. E OUTRA: FAZ ELOGIOS AO DR. ROGÉRIO CARVALHO, MOSTRANDO ASSIM, O SEU DESCONHECIMENTO DA VIDA DESSE POLÍTICO.

  10. Gustavo Gomes  29. ago, 2013 às 15:56

    Roberto Villanova, saúde para tu por muito tempo. Tenho acompanhado tuas postagens e te digo do orgulho de conhecê-lo pessoalmente e ter por algum tempo trocado palavras contigo. Não sei se lembras de mim, contudo fique certo que este comentário é extremamente verdadeiro. O que escreves sobre esta vergonhosa polêmica do Programa Mais Médicos é o que, até certo ponto, eu penso. Belas escritas. Repito: Saúde para tu por muito tempo. Lucidez tens vazando pelo ladrão.

  11. Bruno  29. ago, 2013 às 13:18

    Eu não conheço o Dr Rogério Carvalho,o conheço apenas como um deputado petista,para mim política e medicina não combinam.Você conhece a história dele como médico?Por que a maioria dos médicos que são políticos lembram da população apenas na hora de pedir votos,onde pegam um monte de amostra grátis de remédio e distribuem a quem pede em suas casas em troca de votos,remédios estes que não deveriam faltar no posto da cidade.
    Se ele fizesse um MP que punissem as prefeituras que não dessem a estrutura necessária a população para que tivesse uma saúde de qualidade,ele mereceria aplausos,Tudo vai continuar da forma que está,apenas um médico sem estrutura,em lugares que faltam até insulina para diabéticos e losartana e hidroclorotiazida para os hipertensos.
    O senhor falou tão bem dos médicos da unidade de emergência,por que não fala que no HGE está faltando há vários meses Tramal,todas as formas de dor no HGE tem que ser tratadas com dipirona,e se o paciente for alérgico?Temos que nos virar,e ficam conosco toda a cólera dos pacientes que querem um alívio para sua mazelase não obtem resultados.Mas para o senhor somos insensíveis que não sentimos nada ao vermos pacientes largados nos corredores abandonados a própria sorte

  12. Joao Paulo Soriano  29. ago, 2013 às 12:55

    Perfeito o texto. De muita coragem e revelador.
    Parabéns!!!

  13. Bruno  29. ago, 2013 às 12:42

    Você poderia explicar de onde vem o nojo que você tem por nossa profissão?
    Você se preocupa de mais em nos denegrir sem olhar o outro lado da moeda,você é um cara totalmente parcial,sua função era informar,mas o senhor escreve de forma patológica,visando unicamente o mal.
    Nem tenho como descrever o que sinto sendo citado como parte da classe que é a única responsável pelo caos que se encontra a saúde brasileira,o senhor não cita a falta de estrutura e os calotes que tomamos nas prefeituras.
    Sim,tomamos vários calotes.Eu duvido que se muitas prefeituras oferecessem ao médico R$10.000 e nos dessem segurança,não faltariam médicos.Tenho muitos amigos que estão com processos contra prefeituras a muitos anos,mas como o valor devido é alto eles só podem receber em forma de precatórios,e Deus sabe lá quando eles receberão.A maioria das prefeituras assina um contrato,onde não temos direito nem a férias,decimo terceiro ou FGTS,direitos de todos os trabalhadores e se fizermos algo que não agrade um prefeito ou um secretário de saúde como não emitir um atestado falso,no outro dia estaremos na rua.
    Na sua posição,é fácil apenas criticar,humilhar e nos tratar como anti cristos.
    É revoltante,sou um profissional bastante correto e conheço vários que também são,nunca deram um golpe em nenhum emprego,que atendem pessoas nos consultórios particualres sem cobrar nada,que participam de cirurgias sem cobrar nada.E ser chamado de mascarado,que significa falso,fingido…A grande maioria de nós não merece.

    • Roberto Villanova  29. ago, 2013 às 12:49

      Caro Bruno, pelo amor de Deus não se trata de pirraça e muito menos de nojo. Trata-se da realidade, trata-se do dia-a-dia. De todos os profissionais, o médico é o que está mais perto de Deus. Os erros vêm de longe. O que se discute agora é se deve continuar com o erro ou se devemos consertá-lo. Um médico na Unidade de Emergência é para mim um anjo da guarda que deve ganhar muitíssimo bem. Conheço muitos e, mais do que respeitá-los, eu os venero pela coragem e a sabedoria que não tenho. Eu só não respeito os que fazem negócio com a doença. Esses não. Mas não tenho nojo. Apenas não os procuro jamais! Grato pela participação.

      • Bruno  29. ago, 2013 às 12:56

        Da forma que o senhor escreve,a realidade é que somos mercenários capazes de trocar a vida de qualquer um por dinheiro.O senhor fala que como se todas as prefeituras honrassem com suas dívidas.Se o senhor tem tanto apreço por alguns médicos mostre a eles o que o senhor escreve,assim como eu eles ficarão ofendidos com a forma que o senhor expõe a nossa imagem.

        • Roberto Villanova  29. ago, 2013 às 13:04

          Caro dr. Bruno. O dr. Rogério Carvalho é médico. É o relator da MP do Mais Médico e está sendo punido pelo CRM paulista, só porque defende o programa Mais Médico. Sinceramente, não dá para entender como alguém pode ser contra um programa destinado a assistir uma população carente, humilhada, sacaneada, desprezada…

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