Às 1:22

Liga dos Campeões no cinema: em Maceió, tudo acabou em confusão

20 mai

O placar foi aberto aos 37 minutos do segundo tempo. Parecia o fim. Mas o empate veio aos 42. O resultado levou a decisão para a prorrogação, naqueles dramáticos dois tempos de 15 minutos. A bola está em campo na batalha extra. Um pênalti anuncia, de novo, que tudo está perto de acabar. Mas o goleiro defende – e o mundo repete o que infinitas vezes já ouvimos: o imponderável se impôs. Após 30 minutos de zero a zero, o campeão sairá em cobranças de pênaltis.

Para os torcedores, começa a agonia daquelas batidas. O primeiro jogador acerta o gol, outro também; vamos acompanhando o ritual cheio de suspense. O goleiro pega uma cobrança, o título balança para um dos lados. Em poucos minutos, com a sequência dos batedores, finalmente tudo estará encerrado, com muita festa para uns e clima de cemitério para outros.

Foi exatamente nesses momentos cruciais, quando todos naquela sala acompanhavam os últimos lances da decisão da Liga dos Campeões 2012, que as imagens sumiram na transmissão do jogo entre Chelsea e Bayern de Munique. Os clientes-torcedores começaram a gritar em protesto; depois de um jogo inteiro e prorrogação, estavam perdendo o grande final. Não teve jeito. A imagem não voltaria mais.

No meio da gritaria na sala de cinema, alguns ainda viram o chute derradeiro de Drogba, dando o título – histórico – ao time inglês. Sem a telona em 3D, esses pagantes testemunharam o último gol da decisão na TV dos celulares, acionados na emergência. Um dos aparelhos era o meu.

Tudo isso se passou numa das salas da rede Kinoplex, no Maceió Shopping, no começo da noite deste sábado. Um problema técnico no projetor teria causado o sumiço da transmissão da ESPN. 32 duas salas pelo país mostraram o jogo.

Algumas pessoas mais exaltadas foram agressivas com atendentes da empresa, já fora da sala, na fila para o ressarcimento do valor do ingresso. Houve bate-boca e um princípio de tumulto. O cinema devolveu o dinheiro; ou, para quem assim preferiu, deu convites para outras sessões.

Já outros pagantes diziam que o cinema encerrou a transmissão deliberadamente para evitar uma confusão maior: é que como a partida não acabou nos 90 minutos, invadiu o horário do filme seguinte. De fato, na saída, deu para ver que a fila gigante estava impaciente. Se isso ocorreu mesmo, houve um erro primário de organização.

O jogo foi um épico. O futebol jogado, mais ou menos.

Às 23:37

O salário dos deputados estaduais

19 mai

Em primeira mão, na Gazeta deste sábado:

Os deputados estaduais de Alagoas passam a ganhar pouco mais de R$ 20 mil por mês a partir de agora. Lei com essa decisão foi promulgada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Toledo, e publicada ontem (sexta, 18) no Diário Oficial do Estado. O salário pula dos atuais R$ 9,6 mil para R$ 20.042,34.

Ainda segundo o texto no Diário, a lei tem “efeitos financeiros a partir de 1º de fevereiro de 2011”. Questionado pela Gazeta sobre o aspecto retroativo, Toledo disse o seguinte: “Isso é uma interpretação legal. Não sei como vai ser interpretado”.

O reajuste foi aprovado no começo do ano passado, mas vetado pelo governador Teotonio Vilela. A Assembleia derrubou o veto, mas não promulgou a lei – o que está sendo feito agora.

É retroativo? A promulgação da lei com o aumento de salário pode ser o ato de despedida do presidente da Assembleia, antes de ser nomeado para a cadeira de conselheiro do Tribunal de Contas. Lembrando: o Tribunal de Justiça pode encerrar o impasse na próxima terça-feira, 22. Fica o suspense quanto ao aspecto retroativo da lei. Como chama atenção reportagem da Gazeta, o texto afirma que haverá “efeitos financeiros a partir de fevereiro de 2011”. O deputado Fernando Toledo não foi claro ao responder sobre esse ponto. Falou em “interpretação da lei”. Pelo escrito no Diário Oficial, entende-se que nossos parlamentares vão receber uma bolada referente a um ano de salário, fixado nos R$ 20 mil. Vamos ver.

Às 22:24

Política em Rio Largo

19 mai

Editorial da Gazeta de sábado, 19:

Tiveram duplo trabalho os policiais que conduziram os edis do município de Rio Largo para o ônibus que desempenhava o papel de camburão. Além dessa missão outra lhes foi impingida pelas circunstâncias: impedir que o público agredisse os vereadores detidos. A cena, mais parecida com uma “malhação de judas”, misturava algazarra e demonstrações de agressividade popular, numa espécie de folia linchadora.

Em momentos como aquele fica explícito o alto grau de desgaste vivido pela política no Brasil, num esgarçamento do prestígio parlamentar que parece ser tão mais radical quando a proximidade da casa legislativa com a comunidade eleitora. E nenhuma investidura é tão próxima do povo quanto a vereança. Grosso modo, parece que o eleitor entende ser o edil o parlamentar mais ao alcance de sua mão.

E como a mão que aplaude é a mesma que apedreja…

Inegavelmente, o público de Rio Largo tem fundas razões para se revoltar com a denúncia do que teriam cometido seus vereadores. Afinal não é todo dia que toda uma casa legislativa é detida, acusada da mesma falcatrua. Mas o inquérito apenas começa, as investigações ainda estão em andamento, o processo ainda vai ser devidamente instruído e encaminhado às vias competentes para o devido veredicto.

Estamos diante de um grande escândalo. Mas a mais educativa reação da cidadania aviltada pelo comportamento daqueles a quem elegeu é recusar-lhes o voto novamente. Além de, naturalmente, cobrar das autoridades constituídas os devidos encaminhamentos às denúncias, mobilizando-se e protestando pelo julgamento exemplar de todos os envolvidos.

No mais, mais das vezes, as razões da revolta cidadã, quando apoiadas especialmente nas paixões do momento, findam em serem canalizadas para opções políticas nem sempre coerentes com os objetivos éticos que iniciaram os movimentos.

A paixão é parte indissolúvel da política, mas para que se expresse de forma consequente, se faz necessária sua combinação com a razão. Especialmente em tempos de caça ao voto.

Às 18:39

Rio Largo sem comando

18 mai

Desde ontem, a cidade de Rio Largo está sem comando. Os poderes Executivo e Legislativo foram flagrados de uma só vez na operação decorrente de suspeitas de corrupção, envolvendo ainda alguns empresários. Como se sabe, os dez vereadores do município tiveram prisão decretada – e apenas três ainda não foram enjaulados.

Igualmente apontado como integrante do esquema, o prefeito Toninho Lins (PSB) corre o risco de também ser preso. O Ministério Público Estadual pediu sua detenção ao Tribunal de Justiça. O caso está com o desembargador Otávio Praxedes, mas ele só tomará decisão na próxima semana – como já informou a Gazetaweb.

Do jeito que as coisas estão agora, Toninho não deve aparecer para trabalhar na prefeitura. Vai esperar pelo julgamento do pedido de prisão e, enquanto isso, o município fica sem prefeito e sem vereadores.

Em conversas com moradores e funcionários da prefeitura, ouve-se que o prefeito “foi para o estrangeiro”, em fuga planejada nos últimos dias. Claro que a situação produz todo tipo de comentários e especulações. Fato concreto é que o paradeiro de Toninho Lins e incerto. Família e advogado não informam nada sobre o acusado. Resta aguardar.

Às 13:35

Primeira-dama de Rio Largo é candidata a prefeita de Messias

18 mai

No sábado passado, 12, houve uma grande festa no município de Messias, aqui bem perto de Maceió. A motivação especial para o evento era comemorar o Dia das Mães, cuja data oficial foi o domingo, 13. Bandas de música tocaram sem parar, embalando o festival de comes e bebes. O ponto alto foi a farta distribuição de prêmios para mães, pais, filhos, netos, afilhados…

Você poderia imaginar que tudo isso teria sido uma organização da Prefeitura de Messias. Juntando o apelo da figura materna ao clima eleitoral, os gestores de plantão certamente não perderiam a ocasião. De fato, são claros os sinais de ato eleitoreiro na homenagem para as mamães.

Mas não foi a Prefeitura de Messias que organizou a celebração. Quem bancou tudo foi o prefeito da cidade vizinha chamada Rio Largo, ele mesmo, Toninho Lins. Motivo: Izabelle Lins, sua primeira-dama, é candidata a prefeita lá em Messias. Não foi a primeira realização que a dupla promoveu no município.

Em Rio Largo, fala-se que Toninho está investindo mais na eleição da mulher do que na sua própria. A movimentação revela que a família está disposta a espalhar seus domínios naquela região. Repete a estratégia de outros casais da política estadual. Mas esses planos também podem ficar abalados pelo escândalo agora descoberto.

Às 12:25

Escândalo pode mudar rumo das eleições em Rio Largo

18 mai

O arrastão pega toda a Câmara Municipal e põe o prefeito Toninho Lins (PSB) no centro da tormenta. Por isso, desde logo, o processo eleitoral em Rio Largo passa a transcorrer com um ingrediente cujos desdobramentos são imprevisíveis. A operação que encarcerou os vereadores e gerou pedido de prisão para o prefeito interfere diretamente na campanha 2012.

A menos de cinco meses para a guerra nas urnas, com as convenções marcadas para junho, o gestor que vai disputar a reeleição terá de buscar votos e, ao mesmo tempo, encarar as pesadas acusações – na praça a partir de agora. Um complicador e tanto para o discurso de qualquer candidato.

Até ontem, Toninho Lins era dado como imbatível na disputa pela reeleição. Desde a vitória em 2008, vende a imagem de “juventude” e “renovação”, alguém diferente dos que vieram antes dele na gestão da prefeitura. Aliás, “moralidade”, “seriedade” e “transparência” são expressões frequentes na retórica do prefeito-candidato.

Toninho Lins também foi eleito, em 2008, carregado no discurso de combate à corrupção. Nos palanques e em entrevistas, até hoje ele gosta de repetir o seguinte: não tem tolerância com a roubalheira e não perdoa os ladrões. Diante das novidades, terá de se esforçar um pouco mais para ser convincente. Tudo pode mudar na eleição em Rio Largo.

Às 21:57

População de Rio Largo festeja a prisão dos vereadores da cidade

17 mai

Fotos: Ricardo Lêdo
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Revolta e comemoração. Com esses sentimentos, a população de Rio Largo reagiu diante das prisões de sete vereadores do município, no começo desta noite. Os políticos são acusados de corrupção numa jogada com a participação de alguns empresários – que também foram presos.

 
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O rebuliço tomou contas das ruas de Rio Largo, principalmente nos arredores da sede da Câmara Municipal. As fotos mostram o cerco dos policiais à Câmara, a fila dos presos entrando no ônibus e as várias manifestações dos moradores.

 
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Os indignados gritavam ofensas aos acusados e, na saída do ônibus para Maceió, algumas pessoas batiam no veículo, com mais xingamentos na direção daqueles que deveriam representar os interesses da sociedade.

 
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A julgar pelas manifestações populares, os habitantes de Rio Largo conhecem bem o desempenho da turma que ocupa o poder legislativo municipal. Que as investigações ajudem a melhorar as coisas na cidade.

Às 19:06

Em nota, prefeito se explica sobre fraude em programa federal

17 mai

Leia abaixo (em azul) a nota da Prefeitura de Maceió a respeito da fraude no programa Bolsa Família. O município se manifesta oficialmente depois que a Gazeta revelou o caso, em reportagem exclusiva publicada nesta quinta-feira. Veja o texto enviado pela assessoria do prefeito Cícero Almeida:

Preocupado com a lisura operacional do programa Bolsa Família em Maceió, o prefeito Cícero Almeida tem recomendado intensa fiscalização no processo de inscrição dos bolsistas, desde que essa administração firmou convênio com o governo federal. Para isso, a Secretaria Municipal de Assistência Social – Semas – tem sido orientada quanto ao monitoramento permanente de todo o programa, para que os que mais precisam sejam, verdadeiramente, os contemplados.

Desse modo, a fiscalização, por intermédio dos técnicos da Semas, tornou-se uma operação de rotina, uma vez que o governo municipal tem a responsabilidade na gestão de 85 mil famílias cadastradas no referido programa.

O rigoroso critério de avaliação constatou apenas 20 processos com irregularidades, no considerado volume de atendimento. Mesmo assim, numa demonstração concreta e real da licitude, com que o município trata os recursos públicos, especialmente do Bolsa Família, o prefeito Cícero Almeida determinou o afastamento imediato dos envolvidos e exigiu o encaminhamento de denúncia ao Ministério Público e à Polícia Federal, para que as medidas cabíveis possam ser adotadas.

Portanto, a determinação do prefeito é que a fiscalização seja contínua e ininterrupta, considerando, ainda, que a sua administração não tem compromisso com erros de tal natureza ou de qualquer outro que, por ventura, possa vir a ocorrer.

A forma transparente como os casos têm sido trabalhados dentro da Administração Municipal serve, também, de alerta para que as pessoas envolvidas com o Bolsa Família, ou qualquer outro programa trabalhem dentro da legalidade, da imparcialidade e da eficiência, sob pena de serem responsabilizadas por seu atos.

Prefeitura Municipal de Maceió

Às 16:37

Fraudes recorrentes

17 mai

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Em dezembro de 2010, a Polícia Militar descobriu que pelo menos 30 soldados e até oficiais recebiam, ilegalmente, recursos do programa Bolsa Família. Segundo noticiado na época, os militares responderiam processo interno, sem risco de maiores punições. A lista dos beneficiados, não revelada, foi enviada ao Ministério Público Federal. O desfecho da investigação é desconhecido.

Pouco mais de um ano depois, em dezembro do ano passado, foi o próprio Ministério Público Federal que anunciou a descoberta de outra fraude, dentro da Secretaria Municipal de Assistência Social, responsável pelo cadastro do Bolsa Família em Maceió. 95 servidores foram acusados pelo esquema. Um processo também sem resultado conhecido.

E agora, pela terceira vez, a mesma secretaria aparece como alvo de mais uma fraude. Como se vê, parece frágil demais o mecanismo de segurança no mais importante programa de transferência de renda do país. Diante da recorrência do delito, é evidente que há incompetência na gestão do programa. Talvez fosse bom repensar tudo isso.

As imagens aqui reproduzidas mostram as edições da Gazeta com as notícias sobre as mutretas.

Às 16:06

Prefeito de Maceió confirma fraude revelada pela Gazeta

17 mai

 
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O prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), confirmou, na tarde desta quinta-feira, a denúncia do ex-secretário Francisco Araújo sobre fraude no Bolsa Família. O caso foi revelado pelo repórter da Gazeta Davi Soares (foto). Como informa a Gazetaweb, o prefeito disse que já tomou as providências – após a publicação da reportagem.

Na versão de Almeida, o esquema envolve 20 servidores contratados como prestadores de serviço. Eles colocaram seus próprios nomes entre os beneficiados do programa. E podem ter inscrito mais gente que não teria direito ao benefício. Almeida diz ter se reunido durante a manhã com a equipe da Secretaria de Assistência Social para esclarecer a grave situação.

Os dados sobre as irregularidades foram entregues ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, ainda segundo o prefeito. O relato do ex-secretário Francisco Araújo, base da reportagem da Gazeta, cita 30 funcionários. Segundo ele, o negócio é “escancarado”.

Ao anunciar as medidas, confirmando o que a Gazeta revela, Almeida não abriu mão do discurso de vítima – para não perder a viagem: “A imprensa achou que iria desmoralizar a administração do prefeito Cícero Almeida, mas não vai conseguir, porque nós não compactuamos com nenhum tipo de irregularidade”.

Segundo a assessoria da prefeitura, uma nota oficial será divulgada, ainda hoje, com as providências adotadas sobre o caso.