Às 14:55

Duas charges apuradas

16 abr

Sobre o escândalo Demóstenes Cachoeira, muitas são as charges certeiras; sobre este tema seleciono uma do Bessinha, editada hoje pelo site chargeonline, e sobre a situação ética do Congresso, reproduzo outra – desta vez do Humberto, publicana no Jornal do Commercio (PE).

Bessina, no site charge on line

Humberto, no Jornal do Commercio (PE)

Às 9:10

Günter Grass e seu poema contra a ameaça atômica

10 abr

Até que tento me desligar das provocações feitas ao mundo pelos governos de Israel, mas são tão impressionantes as estupidezes autoritárias e racistas dessas pessoas que enxovalham a dignidade judaica em nome de um reich sionista intocável, incriticável. Daí ser incontornável, como simples cidadão, insistir em resistir a tais desvarios. E aqui vou eu, novamente.

Günter Grass, prêmio Nobel de Literatura, banido pelo governo israelense

A reação do governo israelense ao poema do alemão Günter Grass, equivocadamente, está sendo apresentada pela grande mídia internacional como algo inusitado, um fato novo. Ora, tal foco está propositalmente deslocado. Proibir alguém de visitar Israel é algo corriqueiro por parte dos sionistas. Quem critica os erros e crimes desses governantes (de quaisquer partidos no poder em Israel) é carimbado como “antissemita” e, a depender da projeção do crítico, sua entrada é vetada na “única democracia do Oriente Médio”.

Especialmente judeus (autênticos, filhos de ventres hebreus) são alvo dessas ações antidemocráticas. Noam Chomsky é o exemplo mais conhecido. Considerado um dos intelectuais mais expressivos dos tempos atuais, nascido nos Estados Unidos, filho de um eminente pesquisador de hebraico, foi impedido de pisar em solo israelense, no dia 16 de maio de 2010, num incidente kafkiano devidamente minimizando pela mídia favorável.  E olhe que Noam Chomsky viveu num kibutz na década de 50, nos primórdios da construção do Estado de Israel. E quem era o chefe de governo israelense em maio de 2010? Bibi Netanyahu!

Voltemos a Günter Grass. E que poema ele teria concebido que causou tamanho reboliço no fuhrer Bibi e seus áulicos? Chama-se “O que há a dizer” e está reproduzido ao fim dessas linhas.

E será que Israel correria o risco de ser visitado pelo escritor alemão? Vejamos o que ele mesmo diz: “Apoiei frequentemente Israel, visitei frequentemente o país e quero que o país exista e encontre finalmente a paz com seus vizinhos”, declarou o vetado ao Sueddeutsche Zeitung.

Atropelando a anterioridade de aceitação dos gestos de solidariedade feitos por Grass, inclusive suas visitas a Israel, Bibi – de repente – se lembrou que o alemão foi soldado SS quando jovem. Mas esqueceu-se disso quando o escritor lhe foi favorável. E, ademais, todos os membros das forças armadas alemãs (SS ou não) que se envolveram nas ações criminosas contra judeus foram identificados e perseguidos implacavelmente pelos “caçadores de nazistas”. Se alemães (que, quando jovens serviram as forças armadas de seu país sob Hitler) como Günter Grass e Joseph Ratzinger puderam seguir normalmente suas vidas depois da derrota nazista é porque estavam “limpos” frente a eficientíssima máquina de investigação judaica.

E, afinal, o que Günter Grass teria versejado? Não é nada fácil localizar o poema na web (será que a autoproclamada democracia internáutica pratica alguma forma de censura?). Note-se que um dos motes do poema é o fato (incrível e aterrorizante) da Alemanha ter cedido um submarino nuclear ao governo israelense!

Localizei-o, enfim, no sítio do Nassif, de onde o colhi e, pelo mesmo preço, repasso-o a vocês, mantendo a escrita original do português de Portugal (que, como se lê, desconhece o “acordo ortográfico”):

O que há a dizer

Porque guardo silêncio, há demasiado tempo,
sobre o que é manifesto
e se utilizava em jogos de guerra
em que no fim, nós sobreviventes,
acabamos como meras notas de rodapé.
É o suposto direito a um ataque preventivo,
que poderá exterminar o povo iraniano,
conduzido ao júbilo
e organizado por um fanfarrão,
porque na sua jurisdição se suspeita
do fabrico de uma bomba atómica.
Mas por que me proibiram de falar
sobre esse outro país [Israel] onde há anos
- ainda que mantido em segredo –
se dispõe de um crescente potencial nuclear,
que não está sujeito a qualquer controlo,
já que é inacessível a qualquer inspecção?
O silêncio geral sobre esse facto,
a que se sujeitou o meu próprio silêncio,
sinto-o como uma gravosa mentira
e coacção que ameaça castigar
quando não é respeitada:
“anti-semitismo” se chama a condenação.
Agora, contudo, porque o meu país,
acusado uma e outra vez, rotineiramente,
de crimes muito próprios,
sem quaisquer precedentes,
vai entregar a Israel outro submarino
cuja especialidade é dirigir ogivas aniquiladoras
para onde não ficou provada
a existência de uma única bomba,
se bem que se queira instituir o medo como prova… digo o que há a dizer.
Por que me calei até agora?
Porque acreditava que a minha origem,
marcada por um estigma inapagável,
me impedia de atribuir esse facto, como evidente,
ao país de Israel, ao qual estou unido
e quero continuar a estar.
Por que motivo só agora digo,
já velho e com a minha última tinta,
que Israel, potência nuclear, coloca em perigo
uma paz mundial já de si frágil?
Porque há que dizer
o que amanhã poderá ser demasiado tarde,
e porque – já suficientemente incriminados como alemães –
poderíamos ser cúmplices de um crime
que é previsível,
pelo que a nossa quota-parte de culpa
não poderia extinguir-se
com nenhuma das desculpas habituais.
Admito-o: não vou continuar a calar-me
porque estou farto
da hipocrisia do Ocidente;
é de esperar, além disso,
que muitos se libertem do silêncio,
exijam ao causante desse perigo visível
que renuncie ao uso da força
e insistam também para que os governos
de ambos os países permitam
o controlo permanente e sem entraves,
por parte de uma instância internacional,
do potencial nuclear israelita
e das instalações nucleares iranianas.
Só assim poderemos ajudar todos,
israelitas e palestinianos,
mas também todos os seres humanos
que nessa região ocupada pela demência
vivem em conflito lado a lado,
odiando-se mutuamente,
e decididamente ajudar-nos também.

É isto aí. O que você acha? De mim tem o aplauso, a admiração.

Às 14:23

Algumas charges brilhantes sobre um mestre do cartum

30 mar

Dentre as muitas boas charges publicadas sobre o mestre Millôr, ouso selecionar três, reproduzidas abaixo. Destaco a do mineiro Quinho, que, mui elegantemente (e magistralmente) foca no ateísmo nem sempre sutil do nosso líder, caminho igualmente trilhado com maestria pelo Aroeira; Rico, por sua vez, expressa o pesar pela perda do brilho milloriano. Confiram.

Quinho, no Estado de Minas (MG)

Aroeira, em O Sul (RS)

Rico, no Vale Paraibano (SP)

Às 15:00

Ao mestre Millôr Fernandes, com muito carinho e admiração

28 mar

Millôr Fernandes é um de minhas referências para o jornalismo em geral e para o humor em particular. Iconoclasta radical, dono de uma criatividade inextinguível, vive para sempre a partir desta quarta-feira.

O acima-assinado à direita de Millôr, vendo-se ainda Paulo Poeta e Rita, todos nós no saudoso Casablanca, numa tarde de domingo

Tive a honra de farrear com ele uma única vez, aqui mesmo nas Alagoas, conforme atesta foto acima, já ao final da agenda.

Millôr é figura única em nossa imprensa, onde garantiu presença destacada por meio século, sempre destilando cultura no mais alto nível e, quando sempre, uma boa dose de veneno contra gregos, troianos e, mui especialmente, quem quer que se julgasse além da conta. Nariz empinado não era com ele.

Uma de suas peças, “Liberdade, Liberdade”, foi uma das duas ou três que tive a satisfação de participar das famosas leituras teatralizadas (prática usada como precursora para a decisão acerca da montagem); na obra citada, me chamou a atenção a erudição e o destemor dele em identificar e reproduzir uma canção dos fascistas espanhóis como exemplo de composição onde a palavra liberdade era usada magistralmente. E o era. A peça era uma denúncia da direita, publicada nos anos de chumbo, e mesmo assim o autor não deixou passar a oportunidade de alfinetar os esquerdismos e a visões estreitas sobre quem teria a propriedade sobre o tema.

Uma de suas criações mais famosas é a história em quadrinhos “(Esta é) A verdadeira história do paraíso”, editada originalmente em capítulos periódicos em O Cruzeiro, teve sua publicação sustada por pressões de radicais ligados a Igreja Católica; anos depois da primeira tentativa transformou-a em livro, numa pioneira e ousada revisão dos mitos bíblicos da criação.

Millôr foi jornalista, escritor, cartunista, poeta, dramaturgo, tradutor e -essencialmente – polemista. Foi um inovador, mantendo-se sempre na vanguarda em seu tempo, trazendo técnicas diferenciadas (como o uso da aquarela no cartum) e as abordagens filosóficas em quadrinhos. Dele foram os primeiros desenhos feitos através de computador usados na mídia impressa brasileira, em alguns casos lançando mão das impressoras matriciais (enquanto a digitalização não alcançava os níveis comuns de hoje).

Mais informações sobre ele estão disponíveis na rede. A wikipédia oferece um bom resumo, inclusive explicando o quase inexplicável nome do cidadão. Visite lá o verbete millor e me economize tempo.

Ao mestre Millôr, este modesto tributo de um admirador.

Às 12:24

Em terras onde caminhou Neruda

24 mar

Não chove sobre Santiago. A imprensa local tem destacado esses tempos como os mais ressecados e caloroso das últimas décadas. Mas a quentura se alterna com momentos friorentos, apesar do sol forte.

No Valle de Casablanca, a uns bons 100 quilômetros da Capital, por exemplo, na manhã deste sábado os termômetros assinalaram alguma coisa abaixo dos 10°, enquanto o sol sumia numa cerração razoavelmente fechada.

Ontem a Fiat ofereceu um jantar na Hípica de Santiago, mas o cansaço me impediu de ver o show musical pós-sobremesa, da qual também declinei por conter açúcar (um sorvete com interessantes pétalas de rosas congeladas como componente comestível).

Recolhi-me antes da meia-noite. Mas, alta madrugada, um sobressalto: Acordei com uma sacolejada forte na cama, como se uma mão fantasmagórica a tivesse balançado com força; ao mesmo tempo, uma porta interna ao apartamento (a do banheiro ou do guarda-roupa) bateu pesado. Ôxe, seria um malassombro? Quem sabe o abominável Pinô estaria querendo fazer alguma presepada com um antigo militante comuna? Esperei, quieto, algum tempo. Nada mais aconteceu. Silêncio total no hotel… dormi novamente.

Acordei 5h45, tomei café as 6h00, revisei os textos trabalhados no dia anterior e as 8h30 já estava embarcando numa van para o Valle de Casablanca, onde estou neste momento – na Vinicola Viña Mar, acompanhando os eventos de lançamento de mais um novo modelo Fiat. E me deparo com todo mundo comentando o acontecido: Um terremoto por volta das 4h30 da madrugada. Coisa rápida, mas parece que de intensidade 5 na escala Richter (vai até 9). Taí, mais uma novidade na vida. Afinal, creio que o primeiro terremoto a gente nunca esquece.

Às 9:54

Como se fosse manifesto isolado sobre posts, blogues e e-comentários

21 mar

Mourejava este acima-assinado em terras de moura religiosidade quando, num intervalo laboral, vi-me assistindo a uma palestra do evento para o qual prestava modestos serviços – no caso a VII Convenção Internacional da Abracaf (Associação Brasileira de Revendedores de Automóveis Fiat).

O momento era a palestra de um dos maiores especialistas em comunicação internética/internáutica contemporânea. O professor falava sobre a distinção entre a mídia antes e depois das redes digitais, e focava na interação como o divisor de águas: no passado estava a comunicação, no presente/futuro a interação. Dentre os exemplos citou blogs, faceboxes, tuíteres, orcutes [caricaturas ortográficas por conta deste blogueiro, lógico] e outras formas mágicas de interação contemporânea. Dizia o mestre: Antes o comunicador expunha suas ideias, divulgava informações e não haveria diálogo; agora, e para o futuro, o pingue-pongue era instantâneo e incontrolável. Alguém postava um A e espocavam B, C… Z, Ə, ®, Ǽ, Ω, Д, ض, ף … e tudo mais, especialmente insultos e provocações, com essa participação desenfreada podendo alcançar números dantes inimagináveis! Aí me caiu a ficha: era isto que eu não queria!

Quero a velha e boa comunicação. Que não voltará jamais como dantes pois (felizmente) a história não retrocede. Mas, a cada avanço histórico e tecnológico o cidadão tem acrescida mais uma alternativa, mormente irrecusável, seja em direitos, seja em deveres, seja em uso e consumo. Porém, mais das vezes, o tido como antigo e superado segue vivo e disponível para uso e consumo de quem o queira. Como sempre relembra Ariano Suassuna, no universo da arte e da cultura a lei dialética do “novo substituindo o velho” seria mais aplicada como a variação “novo convivendo com o velho”, mesmo que – digo eu – com públicos numericamente distintos e desproporcionais. A opção anterior nem sempre é extinta, este é o ponto. Quem imaginaria a resistência de um grupelho de fãs do disco em vinil? Pois essas almas insurrectas incorporam-se nos LPs e toca-discos oficialmente extintos, e até nos bolachões 78 rpm, devolvendo-lhes vida e (muita) música, alimentando um nicho de mercado em plena era onde os downloads e uploads são as estrelas virtuais.

Ali, na milenar Istambul, foi como um estalo de Vieira em ambiente muçulmano. Fez-me a luz: Eu quero a velha e boa comunicação. Que seja restaurada a privacidade de cada um no processo comunicante. Repito, e rearrumo, o brado retumbante do decano Ivan Lessa (antes de, aparentemente, ceder às pressões interativas): Não quero (ser obrigado a) ter um milhão de amigos!

Quero ler jornais, livros e revistas, impressos no milenar papel.

Quero assistir filmes no cinema, teatro no teatro, circo no circo (eita: nunca mais tive tempo…).

Quero interagir com o leitorado no sistema de correspondência do leitor.

Quero jogar na lata do lixo o que considerar provocação.

Quero eu mesmo decidir quando, quanto, por quanto, onde, por que, e o que procurar na Internet.

Essencialmente, vou usar a Internet de forma que melhor me apetecer – ora bolas, essa coisa é apenas um instrumento!

E vou começar com esse blog. Para início de conversa, os comentários serão restaurados no formato “carta do leitor”; naturalmente modernizados como “carta do e-leitor”. Terei imenso prazer em responder via e-mail o que receber, desde que não seja provocações (essas serão, como sempre, remetidas ao lixo). Por falar nisso, é esta a forma mais praticada através deste blog, onde (via o endereço enio@gazetaweb.com) tem chegado e sido respondidas ótimas colocações – comentários com réplicas e tréplicas que poderão também ser republicados no mesmo blog, mas sem estresse, sem a obrigação diária de acessar o nicho “comentários”. Quero acessar diariamente apenas os e-mails, aqui só virei quando tiver algo a postar.

Não quero saber de tuíteres, facesboxes, orcutes, fliqueres, SMS, OMG, Gúgou mais (nem menos), salas, salões ou saletas de bate-papo. Tô fora.

Aviso ao e-leitorado: essas modificações podem demorar um pouco, pois cada sítio tem regras técnicas a seguir e os parceiros do setor de informática e mídia eletrônica estão trabalhando nisso. Mas não é fácil seguir caminho próprio no mundo da e-comunicação.

Enquanto isso, repito, ficarei honrado em receber seus comentários pelo e-mail enio@gazetaweb.com

Às 0:02

O oráculo das urnas municipais + O triste fim dos Templários

19 mar

Despedindo-me da prestigiosa missão de responder pela coluna José Elias durante as férias do titular, este suplente que vos escreve, ao agradecer a atenção do leitorado a essas mal (há quem as ache más) traçadas linhas, divaga sobre suposta influência, quiçá oráculo, a ser expressa pelos resultados das eleições municipais.
Há quem menospreze as urnas municipalistas; outros querem ler resultados significativos apenas nas votações das capitais. Em suma, não são poucos os que querem enxergar no sufrágio munícipe um voto menor. Ledo engano. Não só as eleições municipais são a base enraizada da democracia representativa, como refletem opiniões seguras do eleitorado, posicionamentos esses que devem ser tomados como indicação para os pleitos seguintes.
Embora não deva ser suposta uma linha reta, inflexível em seu ângulo, sentido e direção, entre o resultante voto com as eleições subsequentes (presidência da República, Congresso Nacional, governos estaduais e assembleias legislativas), alguma relação vetorial existe, apontando tendências para dois anos depois. Especialmente no universo estadual, pois a presidência da República é algo bem mais amplo que o somatório municipal e estadual.
Em resumo: devemos prestar muita atenção nas indicações das eleições municipais. Muito nos dirão. Vejamos, grosso modo, em Alagoas, a relação entre o voto municipal de 2008 e o voto estadual de 2010.
Alerto, de saída, ser este um raciocínio político e não uma tese estatística.
Vamos aos que nos gritaram as cartas (ou melhor, os votos) em 2008, considerando apenas os três partidos que mais colecionaram prefeituras naquele ano. Em 3º lugar, ficou o PSDB, com 13 municípios. Em 2º lugar, esteve o PMDB, com 19 prefeituras e, em primeiro lugar, despontou o PP, amealhando 20 cidades para a sigla. Neste trio, concentram-se 53% das cidades alagoanas, porém com uma porcentagem bem maior do eleitorado, posto nessas 52 cidades estarem contidas as maiores populações, como Maceió e Arapiraca.
Nessa superficial contabilidade (não se consideram aqui as demais siglas vencedoras nas 47% cidades restantes), já em 2008, lobriga-se a proeminência de uma aliança entre qualquer dois dos três primeiros colocados. Dito e feito. Ao darem-se as mãos em 2010, PSDB e PP formaram a base de uma dupla imbatível. Faturaram o governo do Estado e a primeira posição senatorial, contrariando a opinião geral, que se revelou contaminada pela emoção típica do processo. Quem apostaria que Téo Vilela (PSDB) ganharia nos dois turnos? Quem anteciparia a larga margem de votos que consagraria Biu de Lira (PP) à frente de Renan Calheiros (PMDB)?
Ganhou essas apostas em 2010 quem somou dois mais dois dos resultados de 2008.
Assim, divulgada a voz das urnas neste 2012, faça as contas para 2014. E, se lhe desagradar o oráculo, não o despreze nem o menospreze. Bote sua mola para alterá-lo nos dois anos que terá pela frente ou pranteie logo o porvir anunciado.

MARÇO NA HISTÓRIA

» Em 18 de março de 1314, foi executado Jacques DeMolay, grão-mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários.

Jacques DeMolay e outros líderes templários são queimados sob o olhar do monarca francês

Criada em 1128 e sancionada por Roma, a Ordem dos Cavaleiros Templários teve como objetivo prestar apoio estratégico às cruzadas católicas despachadas para invadir e ocupar a chamada “terra santa”. A organização templária cresceu enormemente, amealhando considerável tesouro material através de pilhagens praticadas contra os muçulmanos e judeus da Palestina. Recebiam também contribuições pecuniárias dos nobres europeus. Em 1298, em torno dos 50 anos, o nobre francês Jacques DeMolay foi escolhido para presidir a corporação.
Com a crescente resistência dos nativos, DeMolay dedicou-se a reunir mais financiamentos na Europa, e aí começou sua desgraça. De olho nas riquezas das maiores ordens religiosas/militares daquele tempo, os Templários e os Hospitalários, o rei francês Felipe, cognominado “o belo”, urdiu feio plano para apoderar-se dos tesouros das duas, chegando a propor a fusão de ambas sob seu comando. Rechaçado, voltou-se especialmente para os Templários, contra quem já pesavam suspeitas, acusações e preconceitos. Até o símbolo, dois cavaleiros montados no mesmo cavalo, um atrás do outro, passou a ser tido como confissão de sodomia. Presa, a alta cúpula templária passou por sete anos de torturas, mas não teria entregue a localização dos desejados tesouros. Foram expropriados, entretanto, de suas terras, castelos e bens que estavam à mão. Dizem que parte dos sábios templários logrou refugiar-se noutras plagas, levando conhecimentos surripiados aos árabes. Portugal teria sido um desses portos seguros e a Cruz de Malta das caravelas (descobridoras do Brasil) é tida como símbolo da ordem. Mas aí é outra história…

Às 9:36

Bráulio Pugliesi + Golda Meir

18 mar

Alagoas despediu-se ontem do colunista Braúlio Pugliesi, responsável pela coluna BIP, marca registrada da Gazeta. Há alguns anos, perdemos Maria Cândida Palmeira, uma das referências pioneiras no jornalismo social. E, nesse segmento, bem mais lá atrás, encerrava a carreira, prematuramente, Marcus Vinícius, escrevinhador sobre os destaques sociais que tinha a particularidade de ser também renomado boêmio, cantor e tocador de violão.
Cada um, com suas características próprias,marcou época na imprensa alagoana.
Bráulio, de quem nos despedimos ontem, tinha uma particularidade a mais: sabia mesclar o colunismo social com notas políticas. Foi, talvez, até agora, o mais globalizado em sua área, buscando rechear seu espaço editorial com informações sobre o mundo além dos salões de festas e das passarelas.
Mas sua habilidade em tocar nos temas políticos, certamente, marcou sua produção. Fazia-o sem exageros, e sempre sem focar no partidarismo. Driblava as siglas sem dificuldade, estimulando o raciocínio dos leitores em torno de algum fato político relevante. Ajustava esse foco com tal habilidade que, mais das vezes, o tom político passava desapercebido, provocando a reflexão pelo contido nas entrelinhas.
Acometido de séria enfermidade cardíaca, sempre recusou o transplante recomendado pelos especialistas. Optou por esperar o que considerava seu destino.

PIONEIRISMO SERGIPANO
Hoje, a cidade de Aracaju completa 157 anos. É a primeira capital brasileira a ser planejada.
URNAS AVANÇADAS
Aracaju é também a primeira capital brasileira a eleger um prefeito comunista.
ALAGOANO/SERGIPANO
Edvaldo Nogueira, do PCdoB, alagoano de Pão de Açúcar, é o prefeito de Aracaju.
COLÔNIA TUCANA?
Manuilson Andrade é a escalação tucana para Colônia Leopoldina, enfrentando Zé Maria do PSB.
PULMÃO SEM FUMO
Rogério Teófilo reafirma, a plenos pulmões, sua disposição de brigar pela Prefeitura de Arapiraca.
HERMANOS
Informa a secretária Danielle Novis que 50 agentes de viagens argentinos estão em Maceió.

» Em 17 de março de 1969, Golda Meir foi escolhida como primeira-ministra de Israel, sendo, a sua época, uma das pioneiras na ocupação feminina no Poder Executivo nacional nos tempos modernos.
Golda Meir nasceu na cidade de Kiev, capital da Ucrânia, no então Império Russo, no dia 3 de maio de 1898. Aos oito anos, acompanha a família em migração para os Estados Unidos, onde reside até aos 23 anos, quando se casa com Morris Myerson e migra para a Palestina. Militante socialista, Golda passa a viver no Kibutz de Marnavia e trabalha nas organizações judaicas de esquerda estabelecidas em território palestino. Simultaneamente, encarrega-se das articulações internacionais da Confederação Geral do Trabalho (Histadruth).
Com a declaração de independência de Israel, Meir passa a integrar o primeiro governo israelense no posto de embaixadora junto a União Soviética (posição estratégica, pois o armamento para o Estado de Israel era garantido pela URSS), depois ocupando os ministérios do Trabalho, dos Negócios Estrangeiros. Torna-se a secretária-geral do Movimento Socialista israelense (entre 1966 e 1968). Em 1969, assume o posto de Chefe de Governo, sendo primeira-ministra de Israel por cinco anos, período em que enfrentou conflitos de grande envergadura, como a chamada Guerra do Yom Kippur, e diversas outras reações armadas dos árabes em resposta às perdas territoriais sofridas em decorrência da criação do Estado de Israel. No comando efetivo, inclusive das ações armadas, ela confirmou a definição do primeiro chefe do governo israelense, David Ben-Gurion: “Golda Meir é o único homem do meu gabinete”.
Militarmente muito superior a todos os seus adversários, Israel nunca teve dificuldades nos recontros, vencendo-os todos, mas acumulando ódios e críticas. Golda Meir, apesar de dirigir com mão de ferro as ações militares durante seu governo, sentiu o desgaste e pediu demissão do cargo em 1974. Durante um breve período, retornou à atividade política em 1976 (substituindo o presidente de seu partido). Afastada das lides partidárias, morreu em 8 de dezembro de 1978, vítima de câncer.

Às 1:05

Crise na base aliada e o centenário de Carlos Moliterno

15 mar

Crises fazem parte da política, assim como da economia. Espocam com mais frequência naquele que neste segmento essencial a sociedade humana e os abalos econômicos são mais sentidos na carne da população que os tremores políticos, tidos como coisa vulgar, como se pouco tivessem a ver com a vida de quem se acha desligado das querelas partidárias. Quando se fundem, em grandes intensidades, convulsões na economia e na política de um determinado país, as consequências podem, até, dar seguimento a revoluções. E assim, crise após crise, caminha a humanidade.
No universo do Senado vive-se mais uma crise política. Localizada. Coisa do mais natural jogo do poder, onde trombam-se alas partidárias e a chefia do governo ao qual dão sustentação. Nada incontornável nem intransponível, nem revolucionário, mas merecedor da devida atenção por quem se interessa pelas coisas da cidadania.
Lance igualmente natural da luta pelo poder, está sendo colocada uma senhora lente de aumento sobre o conflito em curso; e muitos se apressam em dizer algo como “eu não disse que essa Dilma não tem experiência política?” e assertivas do gênero, mormente marcadas por notória má-vontade contra a presidente.
É esta, em verdade, a mais expressiva crise política do governo Dilma. O presente episódio envolve, no primeiro round, a “rebeldia” de uma parte do PMDB no Senado. No segundo round, o Planalto responde com a troca de líderes do governo (sobrou também para o esforçado e leal Vacarezza, que aparentava certa vagareza no desempenho de suas nobres funções de liderança na Câmara dos Deputados e quedou-se nocauteado pelo contragolpe). Mas, apesar de sua importância, nada indica que esta pendência seja incontornável nem muito menos se configure o cometimento de algum erro crasso por parte da presidente da República.
As rusgas intestinas no velho e sabido PMDB já se anunciavam há tempos e não se restringem ao Senado (Após concluir este texto para a versão impressa, o PR declarou-se oposição). Estão ligadas ao conhecido apetite da sigla e trombam, dentre outros fatores, com o fato do PT também ser um bom garfo. A motorista do coletivo deu um freio de arrumação, mas como não está ainda claro o novo arrumado, a base aliada está a espernear até para identificar a nova colocação de cada um no mesmo barco. É cedo para se afirmar, por exemplo, que Renan Calheiros perdeu força (ele e Jucá já não atuavam com a sincronia do passado recente, daí o alagoano pode ter se fortalecido). Igualmente é cedo para concluir que Dilma ampliou suas dificuldades junto aos “a favor”, ou que uma parte do PMDB consolidar-se-á em sua insurgência.
É tarde, porém, para ignorar que Dilma e Lula têm estilos diferentes para equacionar crises.

MARÇO NA HISTÓRIA

» Em 15 de março de 1912 nasceu Carlos Moliterno.

Anilda Leão e Carlos Moliterno no dia do casamento

Alfaiate, comerciário, jornalista, cidadão exemplar. Poeta, sobretudo. Seu filho, e de Anilda Leão, Carlos Alberto Moliterno escreveu artigo especialmente para a data, publicado na Gazeta de Alagoas. Aqui fica, em resumo, uma declaração reafirmando profunda admiração e amizade. E saudade das envolventes conversas, na Rua Goiás e/ou nos eventos culturais, sempre que possível (e quase nunca era impossível) regadas a generosos goles do bom e velho uísque. Sua sabedoria de homem curtido pelas dificuldades e pelas belezas da vida, com um permanente sorriso a ofertar aos interlocutores, formou e lapidou gerações. Poeta maior, sua obra-prima é A Ilha, marco histórico na poesia alagoana, e seu contributo se espalha para além dos versos, sendo sua prosa marcante para as letras alagoanas. Jornalista atuante, foi colaborador da Gazeta até seus últimos meses de vida e, mesmo com a saúde fragilizada, fazia questão de visitar a redação para entregar pessoalmente seus escritos. Líder cultural, foi um dos mais notáveis presidentes da Academia Alagoana de Letras. Premiou Alagoas com um legado valioso, ainda a ser devidamente reconhecido.

O dia 15 de março, dentre outros personagens expressivos, marca o nascimento de Gilberto Freire (em 1900), e a morte de Júlio César (em 44 a.C) e Octávio Brandão (em 1980).
Às 1:20

O lado escondido da moeda + Marx e Einstein

14 mar

Apesar de viver no meio e do meio, há mais de 30 anos, sempre me surpreende a hipocrisia midiática. A desfaçatez na manipulação das informações parece crescer com o avanço da tecnologia e com a proliferação dos “manuais politicamente corretos” impostos à comunicação contemporânea.
Nos dias em curso, manipula-se sem pejo a tragédia humana do conflito entre palestinos e o Estado de Israel. Nas versões globalizadas das grandes empresas de TV, internet e mídia impressa tem sido dado grande destaque aos disparos de mísseis caseiros vindos da Faixa de Gaza em direção a cidades israelenses. Desde imagens de lançamentos de projéteis similares, até apresentação de partes desses objetos voadores identificados, passando por (justas) reclamações dos moradores das áreas alvejadas, que protestam contra os ataques que assustam a população apesar de não terem feito vítimas fatais até agora. Até aí, tudo bem. É verdade. Injusto e imoral é abafar o outro lado desta mesma verdade, o porquê do lançamento dos foguetes artesanais por parte dos palestinos.
Com algum esforço, folheando-se as páginas eletrônicas, ou dando-se ao trabalho de assistir aos noticiários da madrugada, a outra face da moeda pode ser lobrigada (como escreveria Euclides da Cunha).
Os foguetes foram despachados como resposta ao assassinato sistemático de palestinos por forças israelenses. A contabilidade (desde sexta-feira) até ontem era de 25 palestinos mortos contra dois feridos israelenses.
Sobre as agressões sistemáticas sofridas pelos palestinos estende-se a discrição, quando não o sepulcral silêncio das grandes empresas mundiais de mídia. Mas suas reações violentas à violência sofrida, entretanto, são não só amplamente divulgadas, como, em várias ocasiões, o são em posição invertida, ou seja, passam a ser quem jogou a primeira pedra (ou o primeiro foguete).

MARÇO NA HISTÓRIA

» Em 14 de março nasceu Albert Einstein (1879) e morreu Karl Marx (1883). Dois dos maiores gênios da humanidade, ambos judeus alemães, habitaram o mundo simultaneamente durante escassos quatro anos.

Karl Marx nasceu em Trier, sudoeste da Alemanha, no dia 5 de maio de 1818, e morreu em Londres. Descendente de uma linhagem de rabinos, foi levado a se converter ao cristianismo para poder seguir adiante na carreira pública. Uma das diferenciações de Marx de seus pares geniais da filosofia está em sua máxima de que não basta interpretar o mundo, mas transformá-lo. Militante da tese da práxis, ele lutou durante toda a sua vida para mudar o mundo e pagou (conscientemente) alto preço. Viveu sua diáspora, expulso de vários países europeus em função de suas ideias revolucionárias. Encontrou abrigo em Londres, onde seguiu contando com a parceria camarada do também alemão Friedrich Engels. Da lavra da dupla brotaram textos imortais como o Manifesto do Partido Comunista. Escritor incansável, tantos foram os textos de Marx que nunca foram reunidos nas famosas “obras completas” típicas dos grandes pensadores. Além do enorme volume de escritos, dificultam a tarefa de publicação da obra total de Karl Marx a complexidade dos temas abordados, a caligrafia péssima e a facilidade com que ele (poliglota versátil) misturava diversos idiomas em suas anotações. A parte conhecida de suas reflexões, pesquisas e proposições continua a influenciar o mundo.

Albert Einstein nasceu em Ulm, sul da Alemanha (perto de Trier). Morreu em Princeton, Estados Unidos, no dia 18 de abril de 1955. Seus estudos revolucionários foram uma das bases para a construção da bomba atômica, malgrado o pacifismo militante de seu criador. Einstein era judeu não religioso e muitas vezes foi apontado como ateu, assertiva da qual sempre fugia com alguma frase enigmática, sendo a mais famosa a declaração que “Deus não joga dados com o universo”. Ganhou o Nobel de Física em 1921 por suas pesquisas sobre o Efeito Fotoelétrico. Mas sua notoriedade mundial data de 1905, quando publicou suas teses sobre a Teoria da Relatividade. Defendeu a criação de um estado judeu em parceria com os palestinos, numa confederação multiétnica como a Suíça. Em 1952, recusou o convite oficial para ser presidente de Israel. Socialista declarado, Einstein foi investigado pelo FBI sob a suspeita de ser militante comunista, chegando a ser considerado cidadão “inadmissível para os EUA”. Einstein visitou o Brasil em 1925 e ficou encantado com o trabalho humanista de Cândido Rondon, escrevendo à Academia Sueca sugerindo o nome do brasileiro para o Nobel da Paz.